INFORMAÇÕES SOBRE O GRUPO

© 2018-2019 por Daniel Carvalho. Um projeto do Do Luto à Luta e Elisabeth Kübler-Ross Foundation Brasil.

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Baralho Luto do Homem

Olá! Meu nome é Daniel Carvalho e sou o idealizador e coordenador do projeto LUTO DO HOMEM, um grupo de acolhimento terapêutico para homens em luto. Eu sou pai da Joana, minha filha que faleceu 6 dias depois de ter nascido, após uma complicação no parto. E pra te explicar o BARALHO DO LUTO DO HOMEM eu tenho que te contar um pouquinho da minha história e de como e porquê o projeto do LH foi criado.

Logo depois que Joana morreu eu me vi no pior momento da minha vida. Me vi perdido e em desespero. Tinha acabado de perder meu pai e agora perdi minha filha. Eu tinha perdido todo o meu referencial e me sentia completamente sozinho, sem saber o que fazer. Fiz o que aprendi a minha vida inteira: fui "homem". Naquele momento o que eu entendia era que eu devia estar do lado da minha esposa, porque ela tinha perdido. Era ela que precisava de força, e eu que era o homem forte. Eu que devia estar ali ao lado. Isso era reforçado pelas pessoas que iam nos visitar. Todas iam com ela na cabeça, e ao me encontrar a primeira coisa que perguntavam era "Como ela está?". Eu respondia o que dava e logo depois diziam algo como "Você deve ser forte, por ela".

Até que eu comecei a perceber que as pessoas entravam preocupados com ela e saiam preocupados comigo: ela dizia a todos para olharem por mim também. Ela criou um espaço para que eu fosse visto em minha dor. Pro todos, por mim mesmo. Ao me ver, eu pude ver também o sofrimento que era pra mim perder Joana. Masd também pude começar a ver minha paternidade, ver minha filha, e ver o amor incondicional que eu tenho por ela. Assim fiz meu luto: uma caminhada que respeita a dor e reconhece o amor.

Logo fui compreendendo como as questões de gênero afetam também o luto, e como elas são tão negligenciadas socialmente. O homem sofre, e isso não é por num ranking pra ver quem sente mais ou sente menos, mas sim reconhecer que o machismo e uma sociedade patriarcal também limitam o próprio homem. Isto pode resultar em uma repressão de sentimentos e emoções que são essenciais numa crise tão grande como o luto e pode até acabar desembocando em questões graves que afetam a si mesmo (pesquisas apontam relações fortes entre luto masculino não enfrentado e adoecimento físico as vezes letal, como também relações com suicídio e transtornos depressivos e de ansiedade) como também a outros, ou melhor, a outras - um homem que não lida com o próprio sofrimento, as próprias dores e suas questões emocionais pode acabar fazendo através de uma expressão emotiva socialmente aceita para ele: a raiva. Raiva vira agressividade. Agressividade vira violência.

COMO FUNCIONA

O Baralho Luto do Homem já foi testado algumas vezes nos encontros de acolhimento do projeto LUTO DO HOMEM. E posso te dizer: ele é muito potente. Muito mesmo. É bem simples, mas muito poderoso. Ele consiste em algumas frases em primeira pessoa que representam expressões de sentimentos e emoções pelas quais aquele homem pode estar passando. Nossa sociedade muitas vezes limita a expressão emocional do homem, muitos de nós não conseguimos, por vezes, sequer verbalizar o que sentimos. O Baralho Luto do Homem entra como este facilitador.

São 46 cartas brancas contendo frases que expressam sentimentos e emoções e 8 cartas azuis contendo representações de pessoas do convívio próximo (pai, mãe esposa/o, filhos, amigos etc.). A ideia é que estes dois montes possam se entrecruzar e que expressões sentimentais eclodam.

A maneira mais simples de jogar é o homem escolher um número limitado de cartas e então, em um momento posterior, destrinchar cada uma delas. Se utilizado, por exemplo, por um filho com seu pai que perdeu a esposa pode ser uma ferramenta poderosa de conexão entre os dois, assim como uma maneira para que estes dois homens possam dividir afeto e emotividade. Se utilizado por um profissional terapeuta pode ser um instrumento de acolhimento poderoso e até mesmo complexificar algumas questões que apareçam. Se utilizado por profissionais de saúde "in locco" podem mitigar complicações deste momento e facilitar o acolhimento e a visibilidade deste homem frente à equipe e a família. As possibilidades são enormes!

ENTÃO...

A gente acredita muito nesta ideia. E o que mais encanta é a simplicidade. A gente não precisa de muito. A verba que estamos pedindo aqui nesta campanha é basicamente para os custos de impressão do Baralho, eventuais custos de envio e as taxas da Benfeitoria e da instituição financeira. Queremos imprimir 500 unidades e, quem sabe, espalhar pelo país para que seja um instrumento de transformação social ao acolher as questões das masculinidades e do luto. Queremos que a simplicidade desta ideia espante a todos e todas que se engajam neste debate e nesta luta, que ela seja um motor propulsor de mais iniciativas e ideias. Queremos que esta discussão avance e seja vista.

E aí, você nos ajuda nessa missão?

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